
Renato Migliaccio
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Acompanhem a entrevista exclusiva concedida ao FIGHTTV por Renato Migliaccio, um dos mais completos lutadores da atualidade.
Renato é Faixa-Preta de Judô e de Jiu-Jitsu, atleta de elite da Luta-Olímpica nacional e lutador profissional invicto de MMA (Mixed Martial Arts), além de ter realizado algumas lutas de Boxe como amador.
FIGHTTV - Renato, primeiramente gostaríamos de agradecer sua gentileza em nos conceder esta entrevista e lhe dizer que para nós é uma satisfação poder divulgar ao nosso público um pouco sobre sua história.
Renato Migliaccio: Eu é que agradeço a oportunidade e parabenizo vocês pelo trabalho e iniciativa.
FIGHTTV – Renato, quando começou sua história no mundo das lutas ?
Renato Migliaccio: Comecei ao 8 anos de idade na cidade de Ribeirão Preto interior de São Paulo, num clube onde minha família frequentava.
FIGHTTV – Gostaria que você nos contasse um pouco sobre sua trajetória nas diferentes modalidades de luta que você pratica, e quais suas principais conquistas.
Renato Migliaccio: Dos oito aos 16 anos foi somente Judô que pratiquei, quando comecei a me envolver em competições fui fazer parte da equipe do Professor Jose Luiz Duarte, o qual tinha muito conhecimento da arte, depois fiz parte do Projeto Futuro (Iniciativa do Gov do Est. De São Paulo) e mais tarde da Vila Sonia (Equipe Tradicional de São Paulo) onde tive maior entendimento de Judô devido a maior exposição em competições, treinos e profissionalismo.
O sensei Jun (Atual Técnico da Sel. Nacional de Judô) acrescentou muito na minha carreira competitiva, treinos, entendimento etc.
No Judô tive algumas colocações em Campeonatos Paulistas e uma vez venci a Copa Aurélio Miguel (Brasileiro Universitário). Não competi muito internacionalmente.
Quando me mudei pra SP para treinar Judô, comecei a treinar Jiu-Jitsu com o Ryan Gracie. A princípio o Jiu-Jitsu ajudou o meu Judô, mas depois tive que escolher, ou fazia um ou outro.
Escolhi o Jiu-Jitsu pois sempre quis lutar Vale-Tudo, daí comecei a lutar competições sem kimono e percebi que o Judô ajudava, mas percebi que a Luta Olímpica seria melhor para lutas sem kimono.
No Jiu-Jitsu fui 5x Campeão Paulista, Campeão Brasileiro, Campeão Pan-Americano, Europeu e segundo e terceiro em Mundial.
De kimono venci uma vez a seletiva de Abu Dahbi (ADCC), lutei Abu Dahbi, fui Campeão Pan-Americano e venci outros torneios nos EUA, como Grapplers Quest e Naga.
Comecei a treinar a Luta-Olímpica com o Edson Kudo (Técnico da Sel Nacional), naquela época eu lutava o Estilo-Livre.
Fui morar nos Eua e lá tive maior oportunidade de treinar o Estilo-Livre numa High-School (Escola de Ensino Médio) do Novo México.
Tive maior exposição ao Boxe e ao Vale-Tudo quando fiz minhas três lutas profissionais. Foi lá que percebi que tinha que treinar mais Luta-Olímpica e Boxe.
Voltei pro Brasil e lutei minha primeira competição no estilo Greco-Romana Romano, o qual eu não era familiarizado pois só treinava livre. Ali gostei muito e passei a treinar mais. Meu treinamento consistia em assistir DVDs de Greco-Romana e praticar com amigos e alunos de Jiu-Jitsu e Judô que treinavam comigo.
Também fazia umas economias e ia para Europa. Essa parte de juntar dinheiro é a mais dura e engraçada, mas é longa pra caramba ! Fui à Hungria, Alemanha e Suíça pra treinar Greco-Romana, lá trabalhava (ensinava Jiu-Jitsu) e treinava. Aprendia, mas não muito, pois eles estavam num nível muito alto e não perdiam muito tempo me ensinando.
Os técnicos me ajudavam bastante na medida do possível, a me virar na cidade pois a língua principalmente na Hungria é bem difícil. Lá treinei com o Jeno Bodi e Sike Andras que foi Campeão Olímpico em 1988.
Em São Paulo não existe quem te ensine Greco-Romana, no Brasil em geral podem te ensinar as Regras e te colocarem pra lutar, o que é muito errado. Eu e a Zanza (Rosângela Conceição) costumávamos trazer o Professor Eduardo Dominguez da Argentina pra nos ensinar aqui em SP. O Eugenio Fuentes também ajudava com técnicas e preparação física mas se mudou pro Canadá.
Por isso que após o Pan (rio 2007) fiquei muito desmotivado. Sem técnico e sem alguém que realmente te ensine (no Brasil) e sem um grupo de treinamento é muito difícil, por isso me “mudei” para os EUA pra treinar.
A CBLA (Confed. Brasileira de Lutas Associadas) está fazendo o possível para trazer técnicos de outros paises, mas a verba é curta e não é barato trazer um técnico.
Foi assim no Jiu-Jitsu, veio o Maeda e ensinou os Gracie, os japoneses vieram e colocaram o Judô brasileiro nesse nível, o Boxe está trazendo uns cubanos agora e a Luta ainda ta na guerra pra trazer alguém.
Na luta Greco-Romana venci o Brasileiro duas vezes, disputei Mundial, Pan-Americano e os jogos Pan-Americanos.
No Vale-Tudo tenho três lutas profissionais, duas nos EUA e uma na Irlanda, venci todas.
No Boxe tenho três lutas amadoras venci duas e perdi a outra.
FIGHTTV – O que uma modalidade lhe auxilia em relação à outra ?
Renato Migliaccio: A principio sentia uma certa transferência e percebia que uma ajudava na outra, mas quando o nível começa a aumentar percebi que realmente atrapalha, uma modalidade é completamente diferente da outra. Se o atleta quiser vencer no Jiu-Jitsu, tem que treinar 90% de Jiu-Jitsu. O mesmo Senti na Greco-Romana tinha que treinar Greco-Romana de 90 a 100% na minha situação, e não mais Judô ou Jiu-Jitsu. Portanto para competir numa modalidade especifica e em alto nível o treino de outras modalidades vai sim atrapalhar o resultado final. A não ser que o atleta queira competir MMA, ai sim deve treinar tudo, que foi meu caso.
FIGHTTV – Qual a sua (luta) preferida ?
Renato Migliaccio: Gosto muito de todas, mas acredito que o Jiu-Jitsu ainda é a maior paixão.
FIGHTTV – No próximo mês teremos os Jogos Olímpicos. O que você espera da participação brasileira no Judô e na Luta-Olímpica ?
Renato Migliaccio: O Judô Brasileiro esta muito forte, principalmente o masculino, haja visto o que eles fizeram no último mundial individual e por equipes. Acredito que o Judô traga no mínimo uma medalha de ouro e umas quatro medalhas no total. É muito difícil chutar, pois o nível é muito alto e tudo pode acontecer. Na luta Olímpica, a Rosangela Conceição (Zanza mencionada anteriormente) é a única representante. Ela tem tudo pra se dar bem, rezo pra que ela acorde no dia dela e que traga uma medalha o qual ela tem grandes chances. Ela já venceu a atual Campeã Mundial, tem grandes chances de trazer até o ouro.
FIGHTTV – Qual o seu maior sonho no esporte?
Renato Migliaccio: Ainda é a Olimpíada, estou nessa vida entre EUA e Brasil por isso, quero ter a possibilidade de competir em Londres 2012, e ter sucesso com minha carreira no MMA e também como técnico, quero que minha academia seja bem grande um dia.
FIGHTTV – Peço que nos conte quais seus planos para o futuro, e qual a dica você dá aos que estão começando no mundo da luta?
Renato Migliaccio: Como estou dividido entre os EUA e Brasil agora tenho que me fortalecer economicamente aqui nos EUA (minha academia), tenho o bolsa atleta mas infelizmente não é suficiente 750 reais, mas tem ajudado principalmente agora que o dólar está baixo. Vou Lutar uns Vale-Tudos sim, pois treinei todas essa modalidades para isso, mas sigo treinando Greco-Romana agora com a ajuda de Ivan Ivanov o qual é uma grande pessoa e um dos técnicos da seleção americana de Greco-Romana. Ele está bem disposto em me ajudar. Assim que posso vou ao centro de treinamento americano onde ele reside.
A dica seria disciplina.
FIGHTTV – O que você, como grande exemplo de lutador, faria para melhorar o Mundo em que vivemos?
Renato Migliaccio: Eu acredito que falta respeito na sociedade Brasileira, logicamente temos muitos problemas, um círculo vicioso, mas poderíamos começar com coisas básicas, respeitando os outros, as leis etc.
No Brasil qualquer um faz o que quer e muitos já perceberam isso e infelizmente usam essa liberdade pra fazer o mal, brigar, roubar, trapacear, desviar dinheiro, dirigir embriagado, sujar o ambiente etc, coisas que não aconteceriam se tivéssemos mais respeito, se pensássemos mais no próximo.
FIGHTTV - Nós criamos em 2007 o Ranking Mundial Unificado de Jiu-Jitsu. Como você avalia nossa iniciativa ?
Renato Migliaccio: O Jiu-Jitsu cria atletas muito bons, é uma fabrica de talentos, mas todos acabam migrando pra outras modalidades, principalmente o Vale-Tudo, ou mudando de pais etc. Quando temos uma mídia especializada trabalhando para que o Jiu-Jitsu esteja mais presente na cultura brasileira eu acho isso perfeito, pois patrocinadores um dia virão e se não vieram, a sociedade dará um jeito como vem dando. Temos que manter o Jiu-Jitsu presente na sociedade brasileira, perdemos o mundial (IBJJF) pros EUA, mas já criaram outra liga (CBJJE) aí no Brasil para realizar um outro mundial, espero que de certo e que tenha prestigio também, por isso sua iniciativa ajuda muito, mais uma vez parabéns !
FIGHTTV – Gostaríamos de lhe parabenizar pelas conquistas e pela perseverança, e pedir que deixe uma mensagem aos lutadores de nosso país.
Renato Migliaccio: Obrigado, minha mensagem é que sigam treinando, disciplina. Dificuldades existem, falta de grana e etc, mas isso não é uma realidade somente brasileira. Vi na Hungria atletas que ganharam medalhas em Olimpíadas e que não são ricos, mas tem um nível altíssimo no que fazem, pois a modalidade está enraizada na cultura deles e tudo o que tais atletas precisarem a sociedade e amigos providenciam, é isso que precisa ter mais no Brasil, não podemos esperar somente dos governantes, façamos nossa parte.
FIGHTTV – Muito obrigado !
Informações: http://brazilianjiujitsucamp.blog.terra.com.br
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